Depois de Coimbra, meu fim de semana foi bem leve. Não sai muito. Fiz muito mais pesquisa para trabalhos do que qualquer coisa. Tentei mexer no meu portifólio.
No domingo, passei o dia em casa. A noite, depois de pensar em vários xingamentos ao Grega, que ouvia música bem alto na sala, saí do meu quarto e vi que ele simplesmente tinha faxinado tudo. Por isso a música alta: ajudar no trabalho. Comecei a ajudar, depois as gurias chegaram. Acabamos e conversamos até umas duas da manhã.
Na segunda, acordei e fui para a aula. Lá, comecei a trabalhar no poster que é o trabalho final de Design Bidimensional. Cheguei em casa e me pus a vetorizar. Só saí de casa quando pronto. Gostei bastante do resultado, estou bem orgulhoso. Não fazia algo do tipo há tempos. A noite, tinhamos combinado de sair com o Grega, que viajava de vez na quarta-feira. No fim, ficamos em casa. Alguns amigos das gurias apareceram aqui. Comemos pizza e jogamos Uno.

Mais uma vez, depois de dormir pouco, fui para a aula. Mas, diferente, meu dia de terça não teve uma tarde lá muito legal. Passei o dia na função de cancelar a internet a partir de fevereiro. Isso significou passar a tarde no prédio da PT comunicações. Mas, a noite, dessa vez sim, saímos. O Grega fez uma boa última janta, com algo próximo a uma pizza, uns bolinhos vegetarianos. Daí, uma amiga austríaca dele e um italiano amigo da Juleana apareceram. Acabamos no Bairro Alto. Acho que foi uma despedida divertida.
Daí acordei na quarta e o primeiro de nós já tinha abandonado a casa. O Grega foi uma boa companhia, sem dúvida. Ele era divertido, fácil de lidar. Gostei de ter ele como companheiro de casa esses meses. Mas agora é estranho. O tempo tá acabando aqui. Já somos 3. Em fevereiro, as gurias somem.
Na quarta, passei o dia em função da faculdade. Pelo menos apresentei um texto que achei bem legal. O briefing era estranho: criar um texto onde apresentasse o ponto de vista de um copo. Mas acho que cheguei lá. Nesse dia, entre uma aula e outra, conheci o Jardim Estrela. Estava para ir lá havia tempos. Vi ele no meu primeiro domingo aqui, mas nunca tinha ido. É um parque bem legal, calmo. Comecei a ler meu livro do Borges, “A História Universal da Infâmia”. Tinha procurado ele em Porto Alegre, Lisboa e sebos virtuais. Fui encontrar na pequena Coimbra. Até agora, o livro valeu a pena.
Hoje, acordei e, apesar de ser a última coisa que queria, fui em uma palestra chatíssima sobre impressão digital. Perda de tempo total. Mas, no fundo, já sabia que seria assim. A tarde, comecei a trabalhar na segunda imagem do meu poster, mas essa tá sendo mais casca grossa.
Decidi que amanhã vou acordar cedo e ir a Sintra, uma vila que fica aqui perto. Acho que deve ser bonita, tem castelos e parques. Ao fim do dia já volto, porque é dia de janta da Tuna.
Resolvi o lance da minha estadia pós 1º de fevereiro. Falei com o João, que resolveu ficar com a casa, e eu vou alugar meu quarto em separado. No fim, é um ótimo negócio: pagarei mais barato do que qualquer hostel ou hotel e terei um quarto privativo. Agora, rezo todas as noites para que ele não ache mais ninguém e eu fiquei sozinho, mas acho que vai ser difícil. Eu tive colegas de casa tão bons e tão legais que acho que vai ser difícil me dar bem com alguem que entre aqui. Acho que vai ser péssimo um estranho por aqui. Mas não tenho muito o que fazer, a não ser rezar.
(Aqui, meu texto do copo)
Corpo de Vidro
Por Tomás Albrecht
Técnicas Discursivas – 21.01.10
Jamais senti inveja de ninguém. No fundo, gosto mesmo é desse chiqueiro. Aqui, todos são amigos e cada marca de batom que recebo é com gosto e vontade. Aqui, todos me seguram com firmeza, com aquela firmeza desesperadora de um alcólatra ainda sóbrio. Aqui, ninguém repara nas minhas lascas ou trincas. Sou um copo de vidro, parado em uma estante de um boteco sujo em uma esquina qualquer.
Sou o melhor e verdadeiro companheiro da marioria. Rodo pelas mão de todos, assim como as piranhas baratas que frequentam esse lugar. Tenho um certo gosto de fumaça e as bordas eternamentes engorduradas. Alterno entre cerveja e pinga, pinga e cerveja. Quem sabe, um vinho “sangue de boi”. Mas, mesmo assim, como já disse, não invejo ninguém.
Prefiro uma vida barata a uma regada à champanhas e conhaques e uísques e merlots. Prefiro ser levado à boca com essa vontade semi-sexual e sem pudor. Prefiro que me agarrem com o desejo de uma paixão proibída, que viveu às escuras por tempo demais. Prefiro essa vida verdadeira.
Porque, aqui, repousando sobre uma dessas mesas, conheço tudo. Sei de política, de futebol, de novela e de Big Brother. Às vezes, escuto alguma cantada incerta; às vezes escuto um coração partido; às vezes escuto sobre a gostosa que se mudou para o apartamento 213.
Aqui, em cima dessa mesa, vejo o mundo. São os amigos de longa data e os recém-conhecidos. São os amores e as paixões. São os pais de família descansando depois de um longo dia de trabalho ou, quem sabe, se preparando para um. São as loucuras, as aventuras, os sonhos de um fim de semana. São todos aqueles olhados de cima. São os ignorados e irrelevantes, que não estampam nem capa de jornal de bairro.
São todos esses, vivendo, levando suas vidas e repartindo comigo. São essas histórias que não saem no jornal ou na revista de fofocas.
Eu, na minha inocente posição, escuto a história do povo de sua própria boca. E, quando cansados de falar, os ajudo a refrescar a garganta.
Por isso, não invejo ninguém. Pois, enquanto alguns sentem o toque sedoso de mãos bem cuidadas, eu sinto o toque roto de mãos calejadas e trêmulas. Mas, a cada um desses toques ásperos, eu vejo que não é um bêbado que me leva a boca, mas sim a vida que beija meu corpo de vidro.
Finalmente li o famoso texto. Os ares lusitanos estão fazendo bem para o Osama Gaudério. Espero que não dê enrosco de barba com bigode por aí.
ResponderExcluirAbraços de um ex-português não muito saudoso.
JVR
Parabéns Tommy, o famoso texto é realmente muito bom! Com tanto talento vou até deixar tu me chamar de tia...apesar de ter idade para ser sua prima...
ResponderExcluirBeijos Adri (do Tio Bó)