Apesar do mau tempo, na sexta fui até Coimbra. Meu plano inicial era passar o fim de semana inteiro lá, mas me falaram que não valia a pena porque, apesar de tudo, era uma cidade pequena e dava para ver tudo. Estavam certos:
“15.01
Hoje tive um dia corrido, porque, apesar de ter trabalhos e coisas para fazer em Lisboa, decidi passar o dia em Coimbra. Percebi que meu tempo está acabando e não vi nada de Portugal.
Assim, acordei as 6:00 para pegar meu trem, ou comboio, as 7:30. As 10:00 estava no centro da cidade e, obviamente, começou a chuviscar. Da chuva não falo mais que isso. Ela mudou de intensidade, mas me seguiu fielmente ao longo do dia.
A minha primeira parada foi a Universidade. Gostei bastante do clima de lá. Nos arredores, os muros com frases de protesto. Senti, apesar da solidão matinal das ruas, uma cidade ativa. Então visitei a capela, que me foge o nome, e a Biblioteca Joanina. A primeira era muito bonita, com suas paredes revestidas de azulejos em azul, amarelo e branco. Na segunda, me senti em casa. Com certeza poderia fazer da Biblioteca Joanina a minha casa. Dali, fui a Sé Nova, que não me impressionou muito, e voltei à faculdade para a Sala dos Capelos. Caminhei então a Sé Velha. Essa sim me impressionou, apesar de ter um dos lados em reforma. Quando me dirigia para a saída, abriram a visitação ao claustro. Lá, estava só eu. Um lugar muito bonito e calmo. A chuva, sem dúvida, trazia mais paz ao lugar.
Entãp me perdi um pouco nas ruas estreitas e medievais, acabando no centro da cidade. Foi aí que meu azar começou. A começar pela chuva, que apertou bastante. Depois tentei ir a umas 5 igrejas e todas estavam fechadas ou viraram prédios públicos, fechados a visitação. Uma delas, até mesmo virou um shopping.
Resolvi atravessar o Rio Mondego. Vi uma igreja, ou convento, muito legal, mas não consegui achar a entrada. Seguindo a lógica das anteriores, imaginei que estava fechada. Então, com chuva no rosto, fui ao Portugal dos Pequenitos. Bem legal o lugar. Lá, eles mostram as crianças a cultura dos povos falantes da língua portuguesa, além de casas típicas de várias regiões de Portugal e prédios meio frankenstein, misturando 4 ou 5 monumentos portugueses. Tudo, claro em miniatura. Assim, talvez pelo céu cinza ou por eu estar sozinho no lugar, as casinhas me lembrassem pequenos mausoléus, fazendo eu me sentir em um cemitério. Também tinha o Museu da Vestimenta, que não passava de uma coleção de bonecas com as roupas típicas de cada época. Foi, no mínimo, estranho, porque não é todo dia que se vê uma Barbie Camões, ou Barbie Marques do Pombal.
Saindo do pseudo cemitério, fui a um convento. Mais uma vez, vazio, mas consegui entrar. A essa altura, já me sentia o único turista de Coimbra. Quiçá, o único ser vivo, já que não havia nenhum movimento nas ruas. Era uma cidade fantasma.
Cruzei o rio mais uma vez, indo em direção a um Museu com ruínas romanas. É o segundo que eu vou. Mas o primeiro era em Dublin. Isso me deu uma idéia da magnitude e genialidade romana. A essa hora, já eram 18:00 horas, e se tornou difícil achar algo aberto. Fui a Torre de Almedina, a única ainda de pé da muralha que circundava a cidade. Apesar dos olhos perturbadoramente vesgos do recepcionista, foi uma visita interessante.
Vaguei pela baixa, pensando em ir a um restaurante, mas desisti. Fui a estação de trem e consegui trocar meu bilhete, das 21:00 para as 19:00 e me dirigi a Lisboa.
No fim das contas, gostei de Coimbra. Apesar do mal tempo e do aparente descaso com alguns pontos turísticos. Admito, que uma hora o meu bom humor estava esgotado com as portas na cara e só queria voltar à Lisboa. Mas melhorou. Conheci uma cidade nova e diferente, o que, sem dúvidas, vale muito mais que uma tarde aprontando trabalhos para o IADE. Agora, é ver o resto. Me falta Porto, Sintra e talvez Braga. Mas tenho que ver o que o tempo, e o dinheiro, me permitem.”
Bem, esse foi o texto que escrevi no trem de volta.
Chegando em casa, o Grega estava preparando uma pizzas. Sentamos, comemos, jogamos Uno. Fazia tempo que nós quatro não passávamos algum tempo fazendo qualquer coisa na sala. Foi divertido.
Ontem, passei o dia em casa. Hoje, dei uma saída. Vi um hotelzinho no Areeiro, parece bom. Mas o João, do Hostel, me fez uma boa oferta. Agora, não sei: se pago mais, e vivo em um quarto individual, ou se pago menos e divido um dormitório.
As fotos:
Vista da cidade antiga; eu tentando tirar uma foto de mim mesmo; a Baixa, centro da cidade; a Universidade de Coimbra; a Universidade de Coimbra em miniatura (Portugal dos Pequenitos)





Nenhum comentário:
Postar um comentário