segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Primeiras impressões lusitanas

Cheguei aqui ontem pela manhã, umas 9 horas. Peguei o tal do Aerobus para chegar ao centro da cidade. É. Um ônibus com uma porcaria de mala de 25 kilos. E o melhor: a minha rua não entra carro. Lá fui eu então. O aerobus era à brasileira: mais gente do que espaço, distorcendo as leis da física. Mas não foi lá tão ruim. Desci na Praça do Rossio e caminhei pela Rua Augusta, a livre de autos, por ums 300 metros. Ela é bem bonita. Umas lojinhas por toda ela.
Domingo tudo parece meio morto. Isso foi ruim pacas, porque reforçou o sentimento de estou sozinho em uma cidade desconhecida. Mas tudo se supera. Sai para visitar as gurias de Porto Alegre e ver o apartamento delas, que tem um quarto livre. Livre não. Um quarto a ser dividido. Ele é meio longe, perto do Estádio da Luz, na verdade. Mas não é ruim. Depois sai atrás da tal Dona Maria de Fátima. Uma chata. O quarto é bom, mas bem pequeno. E por pequeno eu quero dizer pequeno mesmo.
Foi um bom passeio. Andei de bonde e peguei um pouco da cidade. A noite teve Movie Night no Hostel. Uma boa para relaxar, simplesmente ficar jogado nos pufes do lounge. Estou impressionado com o albergue. Ele é muito bom: limpo, seguro, boas instalações e um staff super bom. O João, que imagino ser uma espécie de gerente, é gente boníssima. Sempre disposto a dar dicas sobre a cidade. Tambem tem a Ushkar/Ukshar ou como quer que se escreva o nome dela. Ela é uma eslovena que trabalha na recepção. Muito legal, porque há um ano atrás ela era Erasmus como eu sou hoje, então ela me ajuda bastante. Até me passou o número do cara de quem ela alugou o quarto ano passado. Mas, como sempre, está ocupado. E também tem a moça que não sei o nome, mas que prepara uns ovos mexidos com torrada para o café da manhã ótimos.
Hoje saí cedo. Fui até a faculdade avisar que cheguei. O prédio é estranho, tanto por fora quanto por dentro. Mas parece ser legal. O Ricardo, responsável pelos estudantes de fora, é legal. Peguei meu Welcome Kit da Erasmus, de forma que consegui meu celular.
A tarde ia no banco, mas acabei desistindo, porque não tinha residência. Ao invés disso, aproveitei o dia lindo para ir visitar a Graça e Castelo, na parte velha da cidade. Aquilo é muito legal. As ruas são todas estreitas, os prédios são do tempo que guaraná tinha rolha. Segundo o João, do hostel, é de lá que a cidade surgiu. É lindo mesmo. Ia parar no Bar do Terraço, mas estava fechado. Ele fica num prédio antigo que tem, adivinhem, um baita terraço. Cruzei com dois americanos aqui do hostel. O cara divide o quarto comigo e é de North Carolina. A guria, que eu acho que se chama Tracy, é de Seattle e veio para uma conferência de design.
Agora acho que vou participar da Gourmet Petiscos Night, oferecido pelo hostel. Já jantei, mas acho um bom jeito de conhecer gente. Amanhã o plano não muda: ir atrás de quartos e até Alfama, que ainda não fui. Esse lance dos quartos tá começando a me preocupar. Ia visitar um que parecia ser legal amanhã, mas foi ocupado. Na verdade, sempre que ligo tá ocupado. Agora, até os emails que mando tá dando ocupado. Mas a busca continua.
PS.: tirei muitas fotos, muitas mesmo. Quando achar um jeito de por todas na internet, ponho aqui.

domingo, 27 de setembro de 2009

Munique

Chegamos em Munique ontem e aqui o pessoal não é fã da internet. Por isso, resolvi não ficar no canto usando. Assim, vou escrever isso aqui para postar com alguns dias de atraso.
A viagem de trem é tranquila, apesar das 6 longas horas. Prefiro ele ao avião, pelo menos pelas ferrovias se vê gente e paisagens lindas. As terras alemãs são maravilhosas. Grandes campos verdes nos acompanharam o tempo todo. Tivemos problema com a minha mala, que era grande demais. De qualquer forma, isso foi superado, mesmo que para isso meu irmão ficasse atrolhado com ela em um canto enquanto eu tinha dois lugares livres para mim.
Ao chegar em Munique, fomos muito bem recebidos, como sempre. Comemos pizza feita em casa, com sorvete e chocolate de sobremesa. De longe a melhor refeição até aqui. A hora de dormir também superou em muito Dresden. O nosso quarto amarelo, já conhecido dos tempos de 2003, nos esperava bem arrumado. Dormimos como nunca.

Pela manhã, bretzels. Eram boas o suficiente para saciar o desejo que já vinha de terras brasileiras. Saímos meio rapidinho, logo depois do café. Fomos ao Caritas, onde o Andy trabalha. Um lugar muito legal, com uma super proposta: dar trabalho a pessoas com necessidades especiais. Ficamos com o Andy durante o lanche e ele nos mostrou todo o lugar. Saímos de lá direto para uma confeitaria para o almoço. Schnitzel com salada de batata e um Spetz para acompanhar.

Seguimos para Munique, já que nossos anfitriões moram em Karlsfeld, uma cidadela na periferia. A cidade é maravilhosa. Parece que todos os prédios são mais velhos do que qualquer coisa que vem a cabeça. A prefeitura, as igrejas. Tudo resistindo a anos de uso.
Depois de uma boa volta, o merecido descanso na clássica Hofbräuhaus, cervejaria que existe há mais ou menos uns 400 anos. Tomei uma boa weissbier, ignorando o olhar repobatório do meu irmão. Como lhe disse: não beber, seria como ir a uma churrascaria e comer salada.
A parada final foi a Oktoberfest. Milhares de pessoas e uma festa linda. Muita gente, de muitas idades diferentes se vestem com trajes típicos. Muito legal ver isso, dá para ver que a festa não morre tão cedo, que a tradição continua. Dessa vez, não rolou cerveja, mas valeu a pena ir conhecer. Já planejo uma viagem apenas para ela lá por 2015. Aceito companhias.
Até agora foi isso. Amanhã ninguem sabe o que vamos fazer. Já citaram conhecer Salzburg ou Obberstaufen (independentemente de como se escreve tal coisa). Quando acontecer, aqui estará.
Tommy, 25/09


Bem, no fim caminhamos por Karslfeld. Aquilo é muito calmo e tranquilo. Foram cerca de 2 horas entre campos e plantações, super calmo e relaxante.
Paramos em um restaurante que aparece do meio do nada, caseiro. Comi um Lebechese (corrijo a escrita quando conseguir) com ovo acompanhado de um Spez gelado.
Antes de voltar para casa, ainda passamos em um lago muito bonito.
O resto do dia foi caseiro. Consegui ficar um pouco em casa e ver umas coisas no computador.
Ainda assistimos ao treino da Formula1 (o pessoal é fã da Ferrari) e tentamos ver o jogo do Bayern que, infelizmente, não passou.

Agora escrevo de Lisboa, do Travellers House. Esse hostel é bem legal.
O clima é leve e todo mundo parece bem gente boa.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Chega de preguiça, hora de escrever.

Chegamos em Dresden ontem, depois de passar longas e intermináveis horas entre aviões, aeroportos e ônibus. A viagem foi cansativa e grande, mas nada que não superemos.

Saímos de Porto Alegre pela manhã. Um pessoal gente fina foi lá se despedir de mim. Legal isso. Me faz pensar que vou fazer ao menos um pouquinho de falta. O primeiro voo foi tranquilo. Até São Paulo é rápido e chegamos em 2 minutos.

Lá fizemos o check-in com uma moça simpática. Simpática que era, nos ofereceu trocar a AirFrance, que faz via Paris, pela KLM, via Amsterdan. Uma beleza: fizemos tudo mais cedo. E ai vai a dica do dia: KLM é ótima. Um bom avião, serviço de bordo melhor ainda. Além da janta, que foi boa, eles oferecem chás e sorvetes no meio da noite. Para entreter uma TV que tinha tudo: vi Big Bang Theory, CSI, 30 Rock, Mentalist, How I Met your Mother. Além disso, ainda tinha CDs do ACDC e Foo Fighters a disposição. Sorte minha, porque foi impossível dormir. Isso fez o voo de 12 horas demorar umas 21.

Em Amsterdan, uma passada rapidinha.Ficamos cerca de 1 hora só. O mesmo em Berlim, onde todo o tempo que tivemos foi entre resgatar a mala perdida e brigar com o motorista do ônibus que fazia o translado até Dresden.

Chegando em Dresden, a coisa melhorou. Aqui os trens são pontuais e a maioria das pessoas parecem ser simpáticas. Ai foi só a função de carregar mala demais pela cidade. Depois de 2 trens, chegamos a casa da Kersten, onde vamos dormir até irmos para Munique. Ela é gente boa. Pelo jeito adora receber gente, apesar do apartamento pequeno. Além de nós, está aqui o Ted, um australiano.

A noite, saímos com a Maria, amiga do mano. Comemos um Donner, que me lembrou um taco ou quesadilla. Apesar de toda a propaganda que me fizeram, não achei nada demais: uma espécie de pão, molho de tomate e alho, cebolas e alface.

Depois disso, fizemos uma boa caminhada pela Cidade Velha, que de velha não tem muito. Os prédios são de depois da Segunda Guerra, mas são réplicas dos que existiam antes dos bombardeios ingleses. São lindos. Visitamos o Zwinger. Não entendi o que era, mas hoje ele tem uma série de museus e uns jardins legais. Depois vimos a opera e uma série de prédios que não arrisco escrever o nome. O bom de caminhar de noite por aqui é que a cidade fica vazia cedo. Então ainda não era 9 da noite e estavamos sozinhos pelos pontos turísticos.
Acabando a noite, sentamos na rua e bebemos uma cerveja. A minha e a da Maria era com zitronen, ou limão.

Hoje, quarta, foi dia de acordar cedo. Resolvemos o quarto e a faculdade do mano. Parece fácil, mas caminhamos umas 6 horas nisso tudo. O bom é que o passe de trem dura o dia, então pegamos uns 6 ou 7 e pagamos baratinho.

Ainda caminhamos pelo centro da Cidade Velha. De dia, o que não falta é turista. A maioria grupos de idosos falando alemão. De almoço, nos permitimos dar uma de turista e comer no centro. Foi caro mas valeu a pena. Cada um pediu uma salsicha com curry.

Agora, com os dois mortos, vamos sair ainda. Temos que carregar o apartamento do mano, que fica meio longe da Kersten. Amanhã meus braços já eram hehe. Pelo menos poderemos descansar na ida até Munique, afinal de contas são mais boas 6 horas de viagem. É isso aí, até domingo, a minha ida ainda não acabou.

domingo, 20 de setembro de 2009

Pois então, é hora do embarque.


É isso aí pessoal. Não tenho mais tempo para apertos de mão, abraços ou beijos. Quem conseguiu, me deu tchau. O meu tempo em terras brasileiras tá acabando: é hoje de manhã que me mando. A função toda já passou: malas, documentos, passagens, cronogramas. Agora é só embarcar e curtir.


O estranho dessa coisa toda é que só agora que meus últimos amigos saíram aqui de casa que eu perguntei uma coisa importante: no que foi que me meti?


Pois é, nunca parei para pensar nisso. Mesmo assim, lá vou eu: seis meses em Lisboa. Ainda sem teto, ainda sem amigos ou conhecidos. Tá. Sei que vou para estudar, conheço o pessoal que vai de Porto Alegre e até tenho uns números para ligar lá na Lusitânia. Mas no fundo, lá no fundo mesmo, não tenho ideia do que vai me acontecer.


Vou realmente sem saber o que me espera. O que é bom. Afinal de contas, se eu já soubesse como vai ser, nem ia.


Mas é isso aí pessoal. Embarco as 9:40 para talvez uma das coisas mais importantes que já fiz. Não volto. Ou pelo menos não filosoficamente. Aposto meu dedo do pé: esse Tomás já era. Lá por março nós descobrimos o novo Tomás, talvez não pior ou melhor, mas realmente diferente.


Quem quiser me visitar já sabe: passa em Lisboa e dá um toque. Ainda não sei o que se tem para apresentar, mas vou descobrindo.